sábado, 24 de março de 2018

Inércia

Sentia-se numa encruzilhada
Pensamento a mil
E corpo, inerte

Mova-se!

(Silêncio)

De fora, via-se
Milhões de maneiras de sair daquele cruzamento

O coração grita
A boca, cala

A solução, dentro
E a busca, fora.

Até quando?

terça-feira, 13 de março de 2018

Fardo

Ei, querido menino
Que carrega o mundo nas costas
Não some isso ao seu já pesado fardo

Sorria, menino
Lembre de tudo vivido
A vida acontece sem que a gente planeje
E dois corações, assim, fraquejam 

Não ligue pra isso, menino
Veja, tudo passa
Até que deixa de ser ameaça 

Ei querido menino, 
Deite aqui
Me deixe acariciar seus doces cachos
Dá-me aqui um abraço
Respire fundo, nada mudou
Perto ou longe
Terás em mim apoio constante 

Relaxe, doce menino
Você já foi bravo o bastante
Obrigada por tudo
Não pense que não vejo
Sua invisível proteção constante 
Só o bem te desejo
Sigamos assim
Aos poucos tudo à paz volta

Desculpe, querido menino 
Pela intromissão
Nunca foi desejo meu gerar confusão
Conte sempre comigo 
Tens em mim eterno amigo
Meu menino querido

quinta-feira, 8 de março de 2018

Posse

É como se o fim abrisse seus olhos

As nuances
[ignoradas]

As frases
[perdoadas]

Os gestos
[que faltaram]

Companheiros silenciosos de tanto tempo, agora, berravam:

- Como!

     - Como!

          - Como não viu?

O que pensava ser mistura era ausência de si mesma

Quanto era do outro, quanto era ela?

Já não sabia dizer...

Mas há, no entanto,
algum modo de deter coisas sem que elas a possuam?