sábado, 27 de janeiro de 2018

Procura-se

Procura-se alguém
Que me olhe como sou
E me ame, como tal

Que me beije como se fosse sempre a primeira vez
E me abrace sem igual

Procura-se alguém sem jogos
       Meias palavras
            Meias verdades

Onde o silêncio diga mais que mil palavras 

Alguém que permita que cada um seja si mesmo em sua potencialidade
Mas que somados, se multipliquem

Chega de gente que divide
Que subtrai

Só quero gente que atrai

Coisas boas
    Almas leves
        ----Sem leva e traz

Gente que ao somar seja múltiplo
Nesse mundo que carece tanto e pede por mais

Se não, faz favor, sem se achegue,


Me deixe em paz.

quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

Luz na escuridão

Chega assim, de repente
E o calor, preenche

Invade,
   Indecente  
---Sem pedir licença

Quem pediu, assim
                  tão quente?

Sem controle, chega num rompante.
Está ali ---presente

Desconcerta
     Provoca
         Apavora

E agora?

quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

No Balanço

Oswald de Andrade já dizia
ser assim a poesia
a descoberta das coisas que ele nunca viu

Peço licença ao tão respeitado poeta
      Talvez o mundo lhe tenha sido vil

Pois mesmo com curta vida
Me permiti sentir aquilo 
Que apenas nos livros achei que existia

Que faceiro este coração
Após apenas um beijo
Se permitiu ser raptado
Pelo estranho ao lado

Talvez a próxima estrofe soe brega
E essa aspirante a poeta
Venha estragar a rima para colocar a velha história da falta de ar
     E de chão
         Com o beijo seu que a faz levitar

A perdoe, pois, por estas linhas tortas
Que tentam retratar uma [breve] história
Onde não faltou luar
        banho de chuva
             e pranto

Que sempre lembrarei com encanto 

segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

Página em branco

Estimulante para uns,
Desafiador para outros,

Alívio.........para poucos.

Recomeços
Novas chances

De sentir o sabor do primeiro olhar
O calafrio do primeiro toque
As borboletas do primeiro beijo
A confusão do primeiro acordar

Que bom seria
se fácil fosse

É uma luta
Travada interna
Às vezes, secreta

Mas vale a pena
Saímos fortes

E a página, cheia.

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Fraude

Essa pseudo escritora que aqui vos fala,
vou te contar....
vive a maior ironia

A vida inteira reprimindo - e até hoje não bem aceita
Que o texto a domina

Um dia vou escrever um livro, prevejo.

Finalmente, meio a contragosto, se expõe
Cheia de receios e nenhuma certeza

Vou publicar sem assinar meu nome.
Só pra mim, sem ninguém saber.

Mas como boa leonina,
Tem logo orgulho da cria.
E assim, aos poucos,
Seu espaço, aqui, ecoa.

Mas o que vocês não sabem é que em meio a tantas perguntas, o computador que vos escreve tem um defeito.

Não tem a tecla de interrogação.

Com tantas dúvidas no coração, o teclado lhe deu um sossego.

Ufa. Não pode questionar sua arte.

Rédeas

Você já se sentiu preso entre quem você era, e o que você quer ser?

Ou melhor

Entre o que você achava que deveria ser
        e o que você, de fato, merece ser?

E quando quem você é fica preso dentro dos seus medos?
Quanto de nós é produto da sociedade?

tá cedo pra isso, 
não faça aquilo, 
menina não senta assim,
modos,
Ah, isso é coisa de homem,
menina não pode dizer o que pensa,
bem feito,
você buscou isso

Quantas vezes ouvimos isso?

Se não estamos no controle da vida, porque insistimos em tomar - e muitas vezes, puxar as rédeas?

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Não é pra mim. Calma, porque?

Coisas bonitas.

     Palavras,
           letras,
             musicas.

Sempre admirei, saboreei, observei.

Sempre achei que elas eram para os outros.

Aquele artista incrível. Inspirado por um amor fantástico.
Que lindo devem ser esses amores, saídos de um romance da Jane Austin, uma série da Shonda Rimes, um filme do Almodóvar.

To mais pra Woody Aleen, pensei.
E aí, me contentei.

Uma menina comum,
       Num lugar comum
             Com profissão comum
                 
             Normal

Ama letras - mas olha, ela nem leu todos os clássicos
Não fala culto
E por mais que tente, não frequenta o Festival de Cinema.

Chega em casa
    Cansada,
        Pensa em ler um livro e comer uma salada.
            Mas liga o Netflix e abre um vinho.


Até que um dia..... veio.

Não sei se foi sorte

Essa menina se descobriu......

Forte

Será que vai chover?

Não sei quantas vezes sentei aqui, em busca de ar.

Quantas vezes as paredes diminuíram e - enquanto tudo mais parecia normal - vivia uma luta interna para impedir que meu coração saltasse pela boca.

Olho pra frente em busca de respostas na linha do horizonte.

Será que vai chover?

Acalme-se.

Respiro pelo nariz e solto pela boca.

Porque, muitas vezes, mesmo rodeada de gente, tudo parece distante?

Sigo sentada
        Horizonte
              Muitas perguntas
                   Poucas respostas
                        Quase nenhuma certeza

Ok, vão dar pela sua falta.
Volte.

domingo, 14 de janeiro de 2018

Flâneur

Sempre fui boa observadora dos outros.
Talvez por isso eu faça terapia há tanto tempo, penso.
É mais fácil olhar para o próximo do que para si mesmo.
Certo?

Ando na rua, cabeça a mil, mais preocupada em imaginar qual será a história daquelas pessoas que cruzam por mim na calçada do que com o meu caminho.
Muitas vezes chego em algum lugar sem me lembrar como.

Havia carros nas ruas por onde atravessei?
O sinal estava fechado? 
Um dia ainda serei atropelada, penso.
Preciso ser mais atenta, me repreendo.

Um segundo depois, já estou a pensar na vida daquela senhorinha que passou por mim na Praia de Botafogo
         Cadeira de rodas
                empurrada por uma cuidadora
                        de branco e havaianas,
                                 mais preocupada em responder o whatsapp do que entreter senhora

Como terá sido a vida desta mulher? 
Ela foi bonita?
Teve amores? 

Imagino que ela tenha filhos, e netos.
Bisnetos? Provável.
           Mas que estão muito ocupados vivendo suas próprias vidas.

Terá sido, a vida dela, também agitada?
Passa, ela, muito tempo pensando no que passou?
Do que ela se arrepende?

Todos nós, que passamos por esta calçada, 
Correndo
Para chegar a algum lugar 
Para fazer algo muito importante
                Todos seremos essa senhorinha, um dia, penso.

                        Meu Deus! Vou envelhecer..

                                   Aliás, 
                                       Tomara que eu envelheça.
                                            Né?

Ok, trate de tirar este pensamento da cabeça. 
Claro que você vai envelhecer. 
Terá netos gorduchos.
           Viuva? 
              Talvez....as mulheres vivem mais né?
                         
                    É. Preciso ter amigas.

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Sobre Finais

Eu soube que era o fim, mesmo antes dele chegar. 
É preciso observar os sinais. 

A tarde, clara e límpida
O vento, frio
O cenário, de tirar o fôlego
A adrenalina de estar fazendo algo irresponsável 
[e o medo de quem para de pensar

Antes do fim aquelas três palavras
[...]

Hoje não foi diferente
O desentendimento da noite anterior
As palavras que não encaixam
A reclamação do que não faz sentido
O sono, confuso

E aí, aquela mensagem
Tão lúcida
     Tão bonita
         Tão triste
              Tão necessária

Lá veio de novo a emoção
O senso de urgência me toma

preciso chegar à página 52. 

[...] 

Acelero o passo
As lágrimas acompanham
Entro, pego, abro
E aí está: o fim

Tudo se conecta
E não consigo negar 
A poesia existente

Dos múltiplos significados
Que sempre nos acompanharam

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Tormenta

Era como um tampão
Toda aquela água
Envasada

Tanta energia gerada
Desperdiçada
Pelos anos de reclusão
Fechada

Um belo dia, o tampão abriu
O que a tirou da inércia?
Simplesmente, decidiu 
Não ser mais domada
Aquela água, tão controlada

Bastou coragem de puxar a corda 
E toda aquela água presa e domada
Vazou

Ralo abaixo, jorrou
Liberta
Sem pressa de descobrir 
Onde aquele caminho havia de ir

Uma vez liberta
A água achou o mundo vil
E nenhum formato jamais a definiu

E assim, virou

Tormenta

Sobre linhas

Sempre tive obsessão por linhas

Quando pequena, era uma luta me fazer andar até a escola. Então, minha avó fazia um jogo: vamos andando sem pisar nas linhas, ela dizia. Quase como brincar de amarelinha

Depois, vieram os livros. Quanta história eles continham

A paixão se desdobrou logo cedo, e parti para as minhas primeiras linhas
Resolvi levar aquilo a sério. E entrei para a faculdade com o sonho de ser repórter. Outras pessoas deveriam ler minhas palavras: alinhadas, retas, horizontais

A retas, eram também subjetivas. Não importa o que faça, tem sempre uma linha que, se você cruzar, vai se arrepender, eu dizia (e assim, agia)

A retidão, que praticamente nasceu comigo, me dominou. Foi fácil na verdade. E quando vi, minha vida era previsível, mensurável, controlada, esperada

Segui em linha com o que acreditava: na linha

E achei que assim escaparia

Mas a curva vem, quer você queira, ou não
No meu caso, foi um loop, de montanha russa, sem as mãos

As linhas se embaralharam. E retas, sempre paralelas, se encontraram

Todas as linhas se cruzaram, e se transformaram nesse espaço
Onde não faltam curvas, ondas, e loops – com algumas interrogações, mas sem ponto final