quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Sobre linhas

Sempre tive obsessão por linhas

Quando pequena, era uma luta me fazer andar até a escola. Então, minha avó fazia um jogo: vamos andando sem pisar nas linhas, ela dizia. Quase como brincar de amarelinha

Depois, vieram os livros. Quanta história eles continham

A paixão se desdobrou logo cedo, e parti para as minhas primeiras linhas
Resolvi levar aquilo a sério. E entrei para a faculdade com o sonho de ser repórter. Outras pessoas deveriam ler minhas palavras: alinhadas, retas, horizontais

A retas, eram também subjetivas. Não importa o que faça, tem sempre uma linha que, se você cruzar, vai se arrepender, eu dizia (e assim, agia)

A retidão, que praticamente nasceu comigo, me dominou. Foi fácil na verdade. E quando vi, minha vida era previsível, mensurável, controlada, esperada

Segui em linha com o que acreditava: na linha

E achei que assim escaparia

Mas a curva vem, quer você queira, ou não
No meu caso, foi um loop, de montanha russa, sem as mãos

As linhas se embaralharam. E retas, sempre paralelas, se encontraram

Todas as linhas se cruzaram, e se transformaram nesse espaço
Onde não faltam curvas, ondas, e loops – com algumas interrogações, mas sem ponto final


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