domingo, 14 de janeiro de 2018

Flâneur

Sempre fui boa observadora dos outros.
Talvez por isso eu faça terapia há tanto tempo, penso.
É mais fácil olhar para o próximo do que para si mesmo.
Certo?

Ando na rua, cabeça a mil, mais preocupada em imaginar qual será a história daquelas pessoas que cruzam por mim na calçada do que com o meu caminho.
Muitas vezes chego em algum lugar sem me lembrar como.

Havia carros nas ruas por onde atravessei?
O sinal estava fechado? 
Um dia ainda serei atropelada, penso.
Preciso ser mais atenta, me repreendo.

Um segundo depois, já estou a pensar na vida daquela senhorinha que passou por mim na Praia de Botafogo
         Cadeira de rodas
                empurrada por uma cuidadora
                        de branco e havaianas,
                                 mais preocupada em responder o whatsapp do que entreter senhora

Como terá sido a vida desta mulher? 
Ela foi bonita?
Teve amores? 

Imagino que ela tenha filhos, e netos.
Bisnetos? Provável.
           Mas que estão muito ocupados vivendo suas próprias vidas.

Terá sido, a vida dela, também agitada?
Passa, ela, muito tempo pensando no que passou?
Do que ela se arrepende?

Todos nós, que passamos por esta calçada, 
Correndo
Para chegar a algum lugar 
Para fazer algo muito importante
                Todos seremos essa senhorinha, um dia, penso.

                        Meu Deus! Vou envelhecer..

                                   Aliás, 
                                       Tomara que eu envelheça.
                                            Né?

Ok, trate de tirar este pensamento da cabeça. 
Claro que você vai envelhecer. 
Terá netos gorduchos.
           Viuva? 
              Talvez....as mulheres vivem mais né?
                         
                    É. Preciso ter amigas.

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